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NF-e & Fiscal 09 de março de 2026 · Trigestor

CFOP: O Que É e Como Escolher o Código Certo

Entenda o que é o CFOP, como funciona a tabela de códigos fiscais e como escolher o CFOP correto para cada operação da sua empresa.

Você está preenchendo uma nota fiscal e chega naquele campo chamado CFOP. São quatro dígitos que parecem simples, mas escolher o código errado pode fazer a SEFAZ rejeitar sua nota ou, pior, gerar problemas com o fisco lá na frente. Se você já ficou em dúvida sobre qual CFOP usar, este artigo vai te ajudar a entender a lógica por trás desses códigos.

O que é o CFOP?

CFOP é a sigla para Código Fiscal de Operações e Prestações. Trata-se de um código numérico de quatro dígitos que identifica a natureza de cada operação registrada em uma nota fiscal. Em outras palavras, o Código Fiscal de Operações e Prestações informa ao fisco exatamente o que está acontecendo naquela transação: se é uma venda, uma compra, uma devolução, uma transferência, uma prestação de serviço, entre outras possibilidades.

Todo produto ou serviço que aparece em uma NF-e precisa ter um CFOP associado. Esse código é obrigatório e impacta diretamente o cálculo dos impostos, a escrituração fiscal e a contabilidade da empresa. Se você quiser entender melhor todos os campos obrigatórios da NF-e, vale conferir nosso artigo sobre como preencher uma NF-e sem erros.

Por que o Código Fiscal de Operações e Prestações é tão importante?

O CFOP não é apenas um campo burocrático. Ele cumpre funções essenciais:

  • Classificação da operação: permite que a Receita Estadual e Federal entendam o tipo exato de transação que sua empresa realizou.
  • Cálculo de impostos: o Código Fiscal de Operações e Prestações influencia quais tributos incidem sobre aquela operação (ICMS, IPI, PIS, COFINS).
  • Escrituração fiscal: contadores usam o CFOP para lançar as operações corretamente nos livros fiscais.
  • Cruzamento de dados: a SEFAZ cruza o CFOP da nota de saída do vendedor com o CFOP da nota de entrada do comprador. Inconsistências podem gerar notificações.

Um Código Fiscal de Operações e Prestações incorreto pode causar rejeição da nota pela SEFAZ, autuações fiscais e até dificuldades na hora de apurar impostos. Por isso, acertar esse código é fundamental para qualquer empresa que emite nota fiscal eletrônica.

Como funciona a estrutura de quatro dígitos do CFOP?

A tabela de CFOP segue uma lógica bem organizada. Cada um dos quatro dígitos tem um significado, e o primeiro dígito é o mais importante para você entender de imediato.

O primeiro dígito: tipo e direção da operação

O primeiro dígito do Código Fiscal de Operações e Prestações indica duas coisas ao mesmo tempo: se a operação é de entrada (compra, recebimento) ou de saída (venda, envio), e se ela acontece dentro do estado, entre estados ou com o exterior.

Veja como funciona:

Primeiro dígitoTipoAbrangência
1EntradaDentro do estado
2EntradaDe outro estado (interestadual)
3EntradaDo exterior (importação)
5SaídaDentro do estado
6SaídaPara outro estado (interestadual)
7SaídaPara o exterior (exportação)

Perceba o padrão: os dígitos 1, 2 e 3 são para entradas, enquanto 5, 6 e 7 são para saídas. A sequência segue a mesma lógica de abrangência geográfica em ambos os grupos.

Os três dígitos restantes

Os outros três dígitos detalham a natureza específica da operação. Por exemplo, os dígitos “102” indicam “venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros”. Assim:

  • 5.102 = venda de mercadoria adquirida, dentro do estado
  • 6.102 = venda de mercadoria adquirida, para outro estado

Note como a lógica se mantém: a mesma operação (102) muda apenas o primeiro dígito conforme a abrangência geográfica. Isso torna mais fácil navegar pela tabela depois que você entende o sistema.

Quais são os CFOPs mais usados por pequenas empresas?

A tabela completa de CFOP tem centenas de códigos, mas a boa notícia é que a maioria das micro e pequenas empresas utiliza apenas um punhado deles no dia a dia. Aqui estão os mais comuns:

CFOPs de saída (vendas e envios)

CFOPDescriçãoQuando usar
5.102Venda de mercadoria adquiridaVenda dentro do estado de produto comprado para revenda
6.102Venda de mercadoria adquirida (interestadual)Mesma operação, mas para cliente em outro estado
5.101Venda de produção do estabelecimentoVenda dentro do estado de produto que você mesmo fabricou
6.101Venda de produção do estabelecimento (interestadual)Mesma operação, para outro estado
5.405Venda de mercadoria com substituição tributáriaVenda de produto cuja tributação de ICMS já foi recolhida anteriormente por ST
5.933Prestação de serviço tributado pelo ISSQNPrestação de serviço sujeita ao ISS dentro do estado
5.949Outra saída não especificadaOperações de saída que não se enquadram nos demais códigos

CFOPs de entrada (compras e recebimentos)

CFOPDescriçãoQuando usar
1.102Compra para comercializaçãoCompra de mercadoria de fornecedor no mesmo estado
2.102Compra para comercialização (interestadual)Compra de mercadoria de fornecedor em outro estado
1.556Compra de material de uso e consumoCompra de materiais para uso interno (escritório, limpeza, etc.)
1.202Devolução de venda de mercadoriaQuando um cliente do mesmo estado devolve uma mercadoria
2.202Devolução de venda (interestadual)Devolução de cliente em outro estado

Se sua empresa é prestadora de serviços e emite NFS-e, o CFOP pode ter regras diferentes dependendo do município. Para entender as diferenças entre os tipos de nota fiscal, veja nosso artigo sobre NF-e, NFC-e e NFS-e.

Como o CFOP se relaciona com outros campos da NF-e?

O Código Fiscal de Operações e Prestações não funciona sozinho na nota fiscal. Ele precisa ser coerente com outros campos tributários, e a SEFAZ valida essas combinações. Os principais campos relacionados são:

  • CST (Código de Situação Tributária): indica o regime de tributação do ICMS para empresas no Lucro Presumido ou Lucro Real. O CST precisa ser compatível com o CFOP informado.
  • CSOSN (Código de Situação da Operação do Simples Nacional): funciona como o CST, mas é específico para empresas optantes pelo Simples Nacional. Por exemplo, se você usa o CSOSN 102 (tributação sem permissão de crédito), ele deve estar alinhado com o CFOP de venda correspondente.
  • NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul): classifica o produto. Embora o NCM não tenha relação direta com o CFOP, combinações incoerentes entre a natureza do produto e a operação podem levantar alertas.

A regra geral é: o CFOP diz o que está acontecendo na operação, e os códigos tributários dizem como essa operação é tributada. Ambos precisam contar a mesma história.

Erros mais comuns ao escolher o CFOP

Mesmo empresários experientes cometem erros com o Código Fiscal de Operações e Prestações. Conheça os mais frequentes para evitá-los:

Usar CFOP de entrada em operação de saída (e vice-versa)

Parece óbvio, mas acontece. Imagine que você está registrando uma venda e, por engano, seleciona o CFOP 1.102 (compra) em vez do 5.102 (venda). A SEFAZ vai rejeitar a nota imediatamente, já que o tipo de operação não bate com a natureza da nota.

Confundir operações internas com interestaduais

Se você vende para um cliente em outro estado e usa o CFOP 5.102 (que é para operações dentro do estado), a alíquota de ICMS ficará errada e a nota pode ser rejeitada. Sempre verifique a UF do destinatário antes de escolher o código. Operação interna começa com 5, interestadual com 6.

Usar um CFOP genérico para tudo

Alguns empreendedores acabam usando o CFOP 5.949 (“outra saída não especificada”) como coringa para todas as operações. Esse código existe para situações excepcionais. Usá-lo rotineiramente pode gerar questionamentos do fisco e dificultar a escrituração contábil.

Ignorar a substituição tributária

Produtos sujeitos a substituição tributária (ST) exigem CFOPs específicos, como o 5.405. Usar o CFOP de venda comum (5.102) para um produto com ST resulta em tributação duplicada ou em divergências na apuração do ICMS.

Dicas práticas para acertar o CFOP

Para facilitar sua rotina, siga estas orientações:

  1. Identifique primeiro a direção: a operação é de entrada ou saída? Isso já elimina metade da tabela.
  2. Verifique a abrangência geográfica: o parceiro comercial está no mesmo estado, em outro estado ou no exterior? Isso define o primeiro dígito.
  3. Classifique a natureza: é uma venda? Compra? Devolução? Transferência? Isso define os três dígitos restantes.
  4. Consulte seu contador: na dúvida, sempre pergunte ao seu contador ou escritório de contabilidade. O custo de uma consulta é infinitamente menor do que o de uma autuação fiscal.
  5. Cadastre os CFOPs mais usados: a maioria dos sistemas de emissão de NF-e permite salvar os códigos mais frequentes. Configure isso para evitar erros de digitação no dia a dia.

Simplifique a escolha do CFOP com a ferramenta certa

Escolher o Código Fiscal de Operações e Prestações correto não precisa ser um exercício de memorização. Ferramentas como o Trigestor já sugerem os CFOPs mais adequados com base no tipo de operação e no cadastro do cliente, reduzindo o risco de erro e agilizando a emissão da nota fiscal.

Se você quer entender melhor todo o processo de emissão de NF-e e como cada campo se encaixa, recomendamos a leitura do nosso guia completo da NF-e para pequenas empresas. Lá você encontra desde o conceito básico até os passos para emitir sua primeira nota.